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28 de junho de 2012

ME DÁ UM AUTÓGRAFO? - 3 ELZA GEHRTI

ELZA GEHRTI foi minha avó-mãe. Quem me criou desde que nasci já que mamãe estava doente. Aos meus 3 anos de idade, com a morte de minha mãe ela assumiu a mim e a meu irmão.
Mulher forte, nunca  escondeu ser minha avó e que estava no lugar de minha mãe. Nunca me fez sentir coitadinha por não ter mãe. Avó, mãe, pai, me ensinou a ler e escrever aos 5 anos de idade. Quando entrei no primeiro ano a professora se espantou: Onde você aprendeu a fazer seu nome e a ler desse jeito? Minha avó, eu dizia toda orgulhosa. Sempre teve vontade de ter filhos formados. Ela era formada, formou as duas filhas, nos colocou na escola e sustentou a situação até a faculdade. Daí para frente nós continuariamos com os próprios recursos.
Brava, séria, sistemática, gostava de que aprendêssemos muitas coisas só olhando. Depois nós tirávamos as dúvidas. Aí nos ensinava os detalhes, com paciência.
Mulher forte. Suportou a ausência do marido por 20 anos até que, quando soube de sua existência ele já havia falecido em torno de uns 5 anos.
Suportou a perda de minha mãe, que faleceu aos 28 anos de idade deixando 2 filhos ( 5 e 3 anos) .
Suportou a perda de 2 sobrinhos, filhos de suas irmãs, muito queridos e que cresceram junto a suas filhas.
Suportou o segundo marido, que adorava umas biritas e gafieira, fazendo sua comida na hora certa, lavando suas roupas...
Cuidou dos 2 netos até casarem e terem sua própria família.
Amava música e programas musicais.
Não deixava faltar roupa, sapatos, passeios e nem as comidas que gostávamos como por exemplo marrom glacê da CICA. Fazia questão de honrar as marcas; café SELETO ou TIRADENTES, açucar UNIÃO, manteiga PAULISTA, e seu feijão era como o do bom gaúcho carioca: uma verdadeira feijoada, fosse ele branco, preto ou marrom.
A roupa era lavada na mão, melhor do que na máquina, dizia,  e eu concordo.
Nos dava hora para sair e voltar para casa. Os horários de escola tinham que ser exatos 15 minutos antes do  real. E não respeitasse os mais velhos...O olhar dizia tudo. Nem porisso precisava nos bater.Me lembro de 2 tapas na almofadinha, em toda minha vida. Dava medo só do sermão.
Contava estórias, guardava as histórias da família. Guardava segredos das amigas e ajudava os necessitados.
Guardou tanta coisa mas, um dia, vendo que o "fogo de palha" da netinha que levava seu nome (eu) merecia saber o que tinha guardado no baú: as composições de seu avô que cantava para ela, tocando violão, enquanto preparava o desejado "picadinho de chuchu".
Dona ELZA era respeitada no bairro. Viria apartando brigas. Não suportava violência e todo mês tinha roupas e apetrechos para doar.
Elogiava o trabalho quando via uma igreja sendo construída, voluntariamente e na maior alegria. Segurava os netos quando ia lá para a netinha querida (eu de novo) poder assistir às reuniões.
Amava incondicionalmente os netos. Desde o mais velho filho de meu irmão, passandfo pelos filhos dos netos e chegando até a caçula, minha filha. Sempre levava as comidas de que mais gostavam.
Festas eram boas e se aniva demais com elas. Porisso a família comemorava aniversário, dias das mães, da avós...
Nunca se conformou com o diabetes. Viajou seja com os netos ou sozinha até os 75 anos de idade. Ia prá praia, descansar a cabeça e quando se viu limitada, adoeceu mais e mais.Só queria que a nora fizesse seu feijão. Só queria que a neta lhe desse banho, só dizia para os irmãos não brigarem.
Não fumava mas teve seu pulmão comprometido pelo fumo de meu avô. A neuropatia diabética tomou conta de seus sonhos e, aos 82 anos, após um edema pulmonar veio a falecer.
Obrigada, por ter vindo para nós nos ensinar a viver. ME DÁ UM AUTÓGRAFO?



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